quinta-feira, 20 de julho de 2017

48ª EDIÇÃO DA REVISTA KEYBOARD BRASIL


JUlhO DE 2017


Clique no site e leia a Revista na íntegra em língua portuguesa

ou direto no link:


EDITORIAL


*Heloísa Godoy Fagundes - publisher
https://www.instagram.com/heloisagodoyfagundes/


Trazendo sentido à vida


Salve músicos e apreciadores da boa música! Mais uma edição é lançada com o intuito de fazê-lo contagiar-se pela arte que alimenta a alma, transmite alegria, emociona e também tem o poder de transformar: A MÚSICA! Como matéria de capa deste mês juntamente com uma entrevista exclusiva realizada pelo colaborador Amyr Cantusio Jr, trazemos o tecladista virtuoso da banda Dream Theater, compositor e desenvolvedor de aplicativos de música, Jordan Rudess. Luiz Carlos Rigo Uhlik apresenta a segunda parte da matéria sobre o piano - rei dos instrumentos. Hamilton de Oliveira nos presenteia com uma crônica da vida real em alto mar. Maestro Osvaldo Colarusso traz os 450 anos de Monteverdi. Sergio Ferraz fala sobre o novo projeto de Edgar Franco, o Ciberpajé, o álbum Pós Quintessência. Ultrapassando fronteiras, nesta edição apresentamos a banda 3-0-3 Tango Fusion, vinda da Argentina e que realiza sua terceira e grande turnê pela Polônia, mesclando o  tango, o jazz e o folclore sul-americano. A dica técnica do mês é a trilha sonora do filme 'O Exorcista", Tubular Bells, de Mike Oldfield. Bruno de Freitas aponta os super teclados e o retorno às origens. Inaugurando o primeiro escritório no Brasil, temos uma matéria sobre a Shure, maior fabricante mundial de microfones e produtos eletrônicos de áudio. Na seção outros sons, trazemos uma entrevista com o renomado baterista Di Stéffano. Grande notícia sobre a aposentadoria para os músicos através da união da ANAFIMA com a Ordem dos Músicos do Brasil. Sobre pioneirismo, Rafael Sanit expõe a história de sucesso da Casio. Para quem deseja se instruir e elevar a alma, a indicação de Amyr Cantusio Jr é ouvir a KFK Webrádio. Matéria bastante interessante sobre as ondas binaurais, dessa vez falando dos artistas que exploraram e ainda exploram esse tema. Entre eles Lou Reed, Pink Floyd e Pearl Jam. Finalizando, o lançamento do tão esperado álbum de Hermeto Pascoal e Big Band, intitulado Mundo dos Sons. E, músicos, não se esqueçam: sejam vistos! Peçam a tabela com valores promocionais para divulgação em nossas publicações através do email contato@keyboard.art.br. Em tempo: cliquem, curtam, compartilhem e façam seus comentários porque a Revista Keyboard Brasil é feita para você, leitor!

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* Heloísa Godoy Fagundes é pesquisadora, ghost writer e esportista. Há 20 anos no mercado musical através da Keyboard Editora e, há 10 no mercado de revistas, tendo trabalhado na extinta Revista Weril. Atualmente é publisher e uma das idealizadoras da Revista Keyboard Brasil - publicação digital pioneira no Brasil e gratuita voltada à música e aos instrumentos de teclas.







segunda-feira, 3 de julho de 2017

Um CD para espantar o preconceito contra Radamés  Gnattali

A PRIMOROSA OBRA DE RADAMÉS GNATTALI - MOTIVO DE ORGULHO PARA TODOS NÓS BRASILEIROS - EXPRESSA NO BELÍSSIMO TRABALHO DE DÉBORA E FRANZ HALÁSZ
Lançado pelo selo sueco BIS o CD “Radamés Gnattali – Alma brasileira” recebeu críticas europeias muito elogiosas. Uma destas críticas, assinada por William Yeoman na sisuda revista inglesa Gramophone, começa com uma espécie de puxão de orelhas nos músicos e no público: “A música do prolífico pianista, compositor e arranjador Radamés Gnattali (1906-1988) tem tal fluência e é tão atraente que é difícil acreditar que estas qualidades se voltaram contra o reconhecimento do músico como um artista sério durante sua vida e mesmo após sua morte”.

Realmente, muita gente ligada à música clássica, torce o nariz quando ouve falar o nome do compositor, principalmente, o que é estranho, aqui no Brasil. A “fluência” que o crítico inglês destaca, deu-se tanto no setor popular quanto no setor clássico, e muitas vezes Gnattali é comparado ao americano George Gershwin (1898-1937) por sua versatilidade nos dois estilos.

No entanto, o genial George Gershwin nunca explorou um setor da música clássica onde o brasileiro demonstrou toda sua genialidade: a Música de Câmara. Este CD, além de obras belíssimas para solo de violão e de piano, apresenta duas raridades camerísticas: a Segunda sonata para violão e piano e a Sonata para violoncelo e violão. A Sonata para violão e piano incluída no CD, de 1957, é a mesma obra que Gnattali batizou posteriormente de Divertimento para piano e quinteto de sopros, obra esplendorosamente gravada pela pianista Maria Teresa Madeira e o Quinteto Villa-Lobos.

Mais um toque de gênio do grande compositor: nas duas roupagens, a mesma obra apresenta uma sonoridade sensacional. É muito raro termos obras camerísticas com a participação de um violão, e o compositor colabora de forma acentuada no enriquecimento da literatura violonística ao compor também uma bela sonata para este instrumento junto a um violoncelo.

Obra extremamente refinada, composta em 1969, apresenta em seu primeiro movimento, uma das maiores inspirações do compositor. O que é mais estranho é que as poucas gravações que existem da obra foram sempre realizadas por instrumentistas de outra nacionalidade, nunca brasileiros, com destaque para o registro do violonista albanês Admir Doçi e do violoncelista suíço Mattia Zappa. Penso que esta nova gravação, com o violoncelista taiwanês Wen-Sinn Yang (violoncelo solo da Orquestra da Rádio Bávara) e o violonista alemão Franz Halász, é ainda superior, uma verdadeira referência. Realmente as interpretações são primorosas e, nas obras para piano solo de Gnattali, a pianista Débora Halász não fica nada a dever a Roberto Szidon, referência na obra pianística do autor.

Radamés Gnattali realmente deve ser motivo de orgulho de todos nós e algo me diz que a origem deste bem-sucedido CD deve ter sido ideia da pianista Débora Halász, brasileira, discípula de Beatriz Balzi e Myrian Dauelsberg, e que reside há muitos anos na Alemanha. Seu marido, o excelente violonista Franz Halász, não só adotou o sobrenome de Débora, mas adotou também um amor muito grande à nossa música e ao nosso país.

Dois detalhes que engrandecem ainda mais este lançamento: os textos do encarte muito bem escritos pelo violonista brasileiro Fabio Zanon e a bela imagem que aparece na capa do CD: uma linda fotografia de Parati feita pelo próprio violonista Franz Halász. Detalhes que fazem deste CD uma joia, uma gravação obrigatória para todos nós.

Você consegue baixar este CD, com o livreto incluso, na iTunes store e no site http://www.prestoclassical.co.uk por U$ 10.


SAIBA MAIS:
https://www.facebook.com/duohalasz/?fref=ts
http://www.deborahalasz.com/
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Osvaldo Colarusso é maestro premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). Esteve à frente de grandes orquestras, além de ter atuado com solistas do nível de Mikhail Rudi, Nelson Freire, Vadim Rudenko, Arnaldo Cohen, Arthur Moreira Lima, Gilberto Tinetti, David Garret, Cristian Budu, entre outros. Atualmente, desdobra-se regendo como maestro convidado nas principais orquestras do país e nos principais Festivais de Música, além de desenvolver atividades como professor, produtor, apresentador, blogueiro e colaborador da Revista Keyboard Brasil.

** Texto retirado do Blog Falando de Música, do jornal paranaense Gazeta do Povo.






SINFONIETTA PAULISTA APRESENTA DOIS CONCERTOS EM MAIO

ORQUESTRA TRAZ OBRAS DE BEETHOVEN, GRIEG, VILLA-LOBOS, DEBUSSY, SANTORO E HOFFMEISTER.

 * Redação


A orquestra Sinfonietta Paulista possui 25 músicos e foi criada em 2009, tem a direção de Rafael Vicole, e sobe ao palco no dia 21 de maio, domingo, às 11h, na Sociedade Filarmônica Lyra e dia 23 de maio, terça-feira, às 19h30, no Auditório da Biblioteca do Memorial da América Latina.

A Sinfonietta Paulista apresentará obras orquestrais e performances solos e duo. As obras vêm de encontro com algumas efemérides, como os 130 anos de nascimento de Heitor Villa-Lobos, compositor de maior destaque na história da música erudita brasileira, também relembra os 190 anos da morte de um cânone da música erudita mundial, o compositor alemão Ludwig van Beethoven e 110 anos da morte de Edvard Grieg, célebre compositor norueguês.

Dentre as peças orquestrais estão dois movimentos da Sinfonia nº 1 de Beethoven, três movimentos de Peer Gynt de Grieg e o Prelúdio das Bachianas nº 4 de Villa-Lobos. Uma peça solo de flauta mostrará o estilo impressionista do compositor francês Claude Debussy, três peças solos de clarineta farão um contraponto com o expressionismo do compositor brasileiro Cláudio Santoro, e por fim, uma composição barroca do alemão Franz Anton Hoffmeister para violino e viola.

RAFAEL VICOLE - maestro, compositor, arranjador...

Rafael Vicole é diretor artístico e regente titular da Sinfonietta Paulista e Orquestra Acadêmica de Suzano. Já esteve à frente das orquestras: Filarmônica Bohuslav Martinu (Repú-blica Tcheca), Filarmônica de Goiás, Sinfônica do Civebra (Distrito Federal), Sinfônica da USP. Compôs as classes de regência do maestro inglês Kirk Trevor, como convidado, no ICI na República Tcheca nos anos de 2011-2012. Em 2009, chegou à final do 2º concurso de composição Ricardo Rizek com a obra "A" bandona. Em 2011, sua peça "Música para cinco instrumentos" teve estreia no Festival de Música Brasileira na cidade de Oradea - Romênia. Em 2012 foi realizado o recital Khronos, na UNIFIAM-FAAM, dedicado às suas peças de câmara com diferentes intérpretes e formações. Em 2014 foi o homenageado do site americano Composer's Circle <http://composerscircle.com/rafael-vicole/> que divulga compositores do mundo inteiro. Em 2016 começou a integrar um coletivo e músicos, compositores e regentes para pesquisa e difusão de música contemporânea.

SERVIÇO:
21 de maio de 2017, domingo, 11h. 60min.
SOCIEDADE FILARMÔNICA LYRA
Ingressos: R$25,00 e R$10,00
Rua Otávio Tarquínio de Souza, 848 – Campo Belo – São Paulo – SP
Tel.: (11) 5041-2628

23 de maio de 2017, terça-feira, 19h30. 60min.
MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA
Auditório da Biblioteca
Ingressos: R$2,00 (dois reais) e R$1,00 (um real)
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 – Barra Funda – São Paulo – SP
Tel.: (11) 3823-4600

SAIBA MAIS:






sábado, 1 de julho de 2017

MÚSICA, AGORA!

QUER VIVER A PLENITUDE DO AGORA? ENTÃO, APRENDA A TOCAR UM INSTRUMENTO MUSICAL.
 * Por Luiz Carlos Rigo Uhlik

Muita gente, embora nem perceba, gosta de se envolver com atividades perigosas porque estas atividades as trazem para o momento presente. A libertação do medo, das dependências, está intimamente ligada no viver o momento presente. O que estas pessoas não sabem é que isso pode levá-las à morte.

Você já deve conhecer muitos casos que se identificam com isso. As pessoas passam a depender destas atividades perigosas pelo simples fato de que, enquanto neste tipo de atividade, as suas mentes ficam em estado de completa atenção.

E eu vou ser bem sincero com você: ficar em estado de completa atenção é maravilhoso! Mas, você não precisa escalar o Everest, saltar 25 veículos com a sua moto para ter isso sempre dentro de você. Basta você tocar um Instrumento Musical.

Tocar um Instrumento Musical põe você exata-mente em estado de atenção. Põe você no momento presente, no AGORA. E isto é a coisa mais importante que existe.

Nada acontece senão no AGORA. Mesmo as coisas do passado acontecem no AGORA; e tudo o que vai acontecer no futuro acontece no AGORA. Portanto, quem quer viver completamente o AGORA e não tem a mínima ideia de como fazer isso, deve entrar para o mundo da música.

Tocar um Instrumento Musical não permite que a sua mente viaje pelo tempo, não permite que você viva o passado ou que esteja no futuro. Tocar um Instrumento Musical faz com que você viva a plenitude do AGORA, usando as ferramentas do passado e a imaginação sábia do futuro.

Não é fantástico? Não é o que você estava procurando? Mesmo que as suas ideias musicais estejam voltadas aos acontecimentos do passado, ou seja, um sonho, um acontecimento, uma 'ferida', a música só consegue acontecer no AGORA.

Ela está aí: você, o seu instrumento, a sua inspiração, a sua REVELAÇÃO. E isto acontece no AGORA, no exato momento, no segundo fatal...

Então, o que é que você está esperando? Que eu pegue você pelos braços e o conduza para um teclado? Somente abro as portas.  Você entra!


Venha! Você vai gostar! Você vai se Revelar! Avante, no Agora, com Música! Avante!

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*Amante da música desde o dia da sua concepção, no ano de 1961, Luiz Carlos Rigo Uhlik é especialista de produtos e Consultor em Trade marketing da Yamaha do Brasil., além de colunista nas Revistas Keyboard Brasil e Música & Mercado (  http://musicaemercado.org/ ).

 foto de Maurício Jelê 




sexta-feira, 30 de junho de 2017

JOHN MCLAUGHLIN  
A chama do grande Vishnu - parte 2

NA EDIÇÃO ANTERIOR DA REVISTA KEYBOARD, EU INTRODUZI O LEITOR, EM LINHAS GERAIS, A OBRA DO GUITARRISTA INGLÊS DE JAZZ-FUSION JOHN MCLAUGHLIN. NESTA EDIÇÃO, FALAREI MAIS DETALHADAMENTE SOBRE SEUS TRÊS PRIMEIROS LPS, JÁ COMO BAND LIEDER DO SEU GRUPO MAHAVISHNU ORCHESTRA, QUE TORNOU-SE RAPIDAMENTE FAMOSA NO MUNDO INTEIRO PELO VIRTUOSISMO DE SEUS INTEGRANTES E TAMBÉM POR SUAS COMPOSIÇÕES ARROJADAS, INCRIVELMENTE COMPLEXAS E BRILHANTES, MARCANDO ASSIM, EM DEFINITIVO, A ERA DO JAZZ-ROCK.

 * Por Sergio Ferraz

A Mahavishnu Orchestra

A banda foi formada em 1971 em Nova York por John McLaughlin e foi batizada de  Mahavishnu (Grande Vishnu), nome que o guitarrista recebeu do seu Guru Sri Chinimoy.

A formação original era com o panamenho, Billy Cobham (bateria), o irlandês Rick Laird (baixo), o tcheco Jan Hammer (teclados) e o americano Jerry Goodman (violino).

O estilo musical da Mahavishnu era uma mistura original de gêneros: eles combinavam o som do rock eletrificado em alto volume tal como fazia Jimi Hendrix (com quem McLaughlin tinha tocado em uma jam em sua chegada inicial em Nova York), ritmos complexos em compassos incomum (7/4, 10/8, 18/8 por exemplo) que refletiam o interesse de McLaughlin pela música clássica indiana, bem como pelo funk e a influência harmônica da música clássica europeia. 

A música inicial do grupo, representado em álbuns como “The Inner Mounting Flame” (1971) e “Birds of Fire” (1973), era inteiramente instrumental; nesses dois álbuns, o grupo faz uma fusão energética de gêneros otimizados. Um bom exemplo é a música "Vital Transformation" do LP The Inner Mouting Flame, em compasso 9/8 e andamento a 276 BPM, bem como músicas serenas e contemplativas de estilo camerístico, como "A Lotus On Irish Streams" com harmonia modal num estilo quase renascentista com a instrumentação, violão, piano e violino.

Ainda do primeiro álbum, destaque para a música de abertura, “Meeting of the Spirits”. Criada sobre um ritmo que alterna em compassos 5/8 e 6/8 sobre dois acordes tocados pela guitarra, são eles: F#7 (b9) e G13 (#11), proporcionando um clima misterioso tal como uma buleria flamenca, explodindo com o tema enérgico tocado pela guitarra seguido de solos rápidos e brilhantes sobre esta base.

“Bird of Fire”, música título que abre o segundo álbum de 1973 é em compasso 18/8 e semelhante ao início da música anterior, essa é construída sobre uma base de acordes alterados arpejados na guitarra: G#7(#9 b13) e A#7(b9 #11) seguida de um tema eletrizante tocado em uníssono pela guitarra e violino.


Em contraste à música acima citada temos a belíssima “Thousand Island Park”.  De formação camerística tocada apenas por violão, piano e baixo acústico, a peça apresenta o tema tocado em uníssono pelo violão e piano onde a cada final da parte do tema exposto, os instrumentos revezam-se em solos improvisados com a escala alterada sobre uma nota pedal e Si bemol.

Após esses dois primeiros álbuns, John McLaughlin e sua Mahavishnu gravaram um LP ao vivo, “Between Nothingness and Eternity” (1973). Posteriormente a esse álbum ao vivo, a Mahavishnu Orchestra sofreu uma grande alteração na sua formação virando de fato uma verdadeira orquestra.

A Mahavishnu passou a ser integrada por Jean Luc Ponty (violino), Ralphe Armstrong (baixo), Narada Michael Walden (bateria) e Gayle Moran (teclados e vocal), além de um adicional quarteto de cordas e dois sopros.

Com esta formação foi gravado, em 1974, o LP “Apocalypse”. Esse álbum é um magnífico Concerto para Banda e Orquestra, tendo McLaughlin e Jean Luc Ponty como solistas.

Apocalypse foi gravado em Londres com a Orquestra Sinfônica de Londres sob a direção de Michael Tilson Thomas, com George Martin produzindo e Geoff Emerick como engenheiro de gravação.

Chegamos então ao álbum “Visiono of the Emerald Beyond”de 1975. O LP abre com épica Eternity's Breath. A peça é composta em duas partes e tem uma instrumentação arrojada com quarteto de cordas, voz lírica (soprano), e metais (sax alto de dois trumpetes). Destaques para os solos de Ponty e McLaughlin e o belíssimo arranjo e performance do quarteto de cordas.

Com esses álbuns, chega ao fim o ciclo da Mahavishnu Orchestra e John McLaughlin lança-se então em outros trabalhos e desbravando novos caminhos. Ele formou o grupo Shakti, ainda em 1975, com os músicos indianos L. Shankar (violino) e Zakir Hussain (tablas). O Shakti foi, sem dúvida, o trabalho mais bem sucedido em termos de fusão da música ocidental com a música indiana. Ouçam os álbuns: Shakti (1975) A Handful of Beauty (1976) e Natural Elements (1977).

Seria bastante complicado tentar sintetizar aqui toda a carreira e produção musical do John McLaughlin. Sua genialidade e criatividade nos surpreendeu e continua a surpreender a cada momento com novos trabalhos em que o músico aponta outros caminhos e possibilidades criativas.

Termino aqui esse texto com uma pequena lista de discos (fora os acima já mencionados) que marcaram épocas na carreira deste músico genial.

Friday Night in San Francisco (1981), com Al Di Meola e Paco de Lucia
Passion, Grace and Fire (1983), com Al Di Meola e Paco de Lucia
Music Spoken Here (1982)
Live at the Royal Festival Hall (1989)
Que Alegria (1992)
Industrial Zen (2006)
Floating Point (2008)
Black Light (2015)


SAIBA MAIS SOBRE JOHN MCLAUGHLIN
http://www.johnmclaughlin.com/

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* Sergio Ferraz é violinista, tecladista e compositor. Bacharel em música pela UFPE, possui seis discos lançados até o momento. Também se dedica a composição de músicas Eletroacústica, Concreta e peças para orquestra, além de ser colunista da Revista Keyboard Brasil.





JOHN MCLAUGHLIN
A chama do grande Vishnu - parte 1

JOHN MCLAUGHLIN É UMA LENDA. UM DOS MAIS INFLUENTES E PROLÍFICOS GUITARRISTAS, MAS, TAMBÉM É COMPOSITOR, PIANISTA, TECLADISTA E BANDLEADER. CONHEÇA UM POUCO MAIS SOBRE UM DOS MÚSICOS MAIS CRIATIVOS DE TODOS OS  TEMPOS. 

 * Por Sergio Ferraz

Na mitologia hindu, Vishnu é o deus mantedor do universo. Quando a terra está em perigo, Vishnu envia um avatar para salvar a terra do mal...

A analogia de um “avatar” cabe bem a John Mahavishnu McLaughlin. No mundo da música, ele é um daqueles raros músicos que chegaram para mudar o cenário musical abrindo novos horizontes e mostrando ao mundo novos caminhos e possibilidades criativas.

John McLaughlin elevou a técnica da guitarra a níveis nunca alcançados. Mas sua arte não se limita apenas a uma técnica suprema. McLaughlin é, sem dúvida, um dos músicos mais criativos de todos os tempos, um dos pais do Jazz Fusion ao lado de Miles Davis. John McLaughlin mergulhou fundo em vários estilos musicais como o flamenco, a música clássica indiana, o Rock, o Blues e também a música brasileira, entre tantos outros estilos. Nesta primeira parte da matéria falarei um pouco sobre seus primeiros anos de carreira até a formação do seu grupo, a Mahavishnu Orchestra, formado em 1970 e conhecido por ser um dos mais virtuosos grupos de jazz fusion de todos os tempos.

O INICIO NA INGLATERRA...

O guitarrista inglês John McLaughlin nasceu na cidade inglesa de Doncaster em 4 de janeiro de 1942. Inicialmente, McLaughlin estudou piano clássico influenciado por sua mãe, que era violinista. Aos 11 anos, resolveu tocar guitarra, influenciado pelos músicos de blues norte-americanos e, também, pela música flamenca, além do guitarrista de jazz cigano Django Reinhardt. Mais tarde, McLaughlin também foi fortemente influenciado pelo saxofonista John Coltrane, em especial por seu LP A Love Supreme (Implulse 1965), onde Coltrane vislumbra um caminho espiritual através da música.

Isso levou John McLaughlin a estudar profundamente, mais adiante, a música e a cultura indiana. Tudo isso influenciou diretamente o fato dele tornar-se discípulo do guru indiano Sri Chinmoy nos anos 60, recebendo deste o nome de Mahavishnu (O Grande Vishnu).

De volta ao seus primeiros anos como guitarrista na Inglaterra, John McLaughlin participou de inúmeros projetos como Alexis Corner and The Marzipan e George Flame and the Blues Flames. Em 1963, com o baixista Jack Bruce formou o Graham Bond Quartet, com Ginger Backer na bateria e John McLaughlin na guitarra.

Um fato curioso dessa época é que John McLaughlin além de atuar como músico de estúdio e professor de guitarra, teve Jimi Page, futuro guitarrista e líder do Led Zeppelin, como seu aluno.


Em janeiro de 1969, McLaughlin gravou seu álbum de estreia Extrapolation em Londres. O estilo pós-bebop do álbum é bastante diferente dos trabalhos de fusão posteriores deste músico, embora tenha gradualmente desenvolvido uma forte reputação entre os críticos em meados da década de 70.

Cruzando o Atlântico rumo a América...

McLaughlin mudou-se para os EUA em 1969 para se juntar ao grupo Lifetime, do baterista Tony Williams;  posteriormente juntou-se ao grupo do trumpetista Miles Davis. Com Miles, McLaughlin participa da fase em que o trumpetista dá o grande impulso ao que mais tarde ficou conhecido como Jazz-Rock ou Jazz-Fusion. 

Entre vários álbuns com Miles Davis, John McLaughlin, grava o lendário Bitches Brew. Lançado em 1970, esse álbum conta ainda com a participação de Chick Corea (teclados), Joe Zawinul (Teclados), Wayne Shorter (sax), e o percussionista brasileiro Airto Moreira entre outros grandes nomes do jazz.

Ainda numa fase pré Mahavishnu Orquestra, John McLaughlin grava mais dois discos solos. Devotion, no início de 1970 pela Douglas Records, era um álbum de fusão psicodélica de alta energia que incluiu Larry Young nos teclados (que fazia parte da Lifetime), Billy Rich no baixo e o baterista Buddy Miles. Em 1971 lançou My Goal's Beyond, que tem no lado A duas grandes obras acústicas, já anunciando o que em um futuro próximo seria um de seus grandes feitos, a fusão do jazz com a música clássica indiana. 

A partir de 1970, com sua Mahavishnu Orchestra, e na sequência o grupo Shakti de música indiana, John McLaughlin realizou  uma grande obra e parcerias com músicos como o violinista francês Jean Luc Ponty, o tablista indiano Zakir Hussein, o guitarrista espanhol Paco de Lucia e o guitarrista americano Al Di Meola, entre tantos outros. Seus discos entraram para a história da música tanto pelo aspecto inusitado, quanto composicional e criativo. 

No próximo número falaremos sobre os principais discos da fase Mahavishnu Orchestra e Shakti. Até a próxima!





SAIBA MAIS SOBRE JOHN MCLAUGHLIN:
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* Sergio Ferraz é violinista, tecladista e compositor. Bacharel em música pela UFPE, possui seis discos lançados até o momento. Também se dedica a composição de músicas Eletroacústica, Concreta e peças para orquestra, além de ser colunista da Revista Keyboard Brasil.





PIANISTA LUÍS RABELLO EM TURNÊ POR PORTUGAL

PIANISTA BRASILEIRO SE APRESENTA EM MAFRA, GONDOMAR E COIMBRA.

 * Redação

O pianista brasileiro Luís Rabello está em turnê portuguesa para uma série de três apresentações. Iniciada no dia 17 passado como convidado do Festival Internacional de Mafra, na cidade de Mafra, apresentou-se no dia seguinte em Gondomar, na Fundação Júlio Resende “Lugar do Desenho”. Hoje, dia 20, Rabello segue para Coimbra, onde realiza um recital na Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra. As apresentações são gratuitas.

O programa da turnê portuguesa iniciou-se com a Sonata Ao Luar Op 27 No 2, uma das composições mais famosas de Beethoven. Em seguida, foram apresentadas peças de Radamés Gnatalli (10 Valsas e 3 Graciosas). Considerado um dos mais prolíficos compositores brasileiros do século XX, Gnatalli transitou com facilidade entre o jazz e a música de concerto e foi uma das principais influências de Tom Jobim e outros compositores do movimento da Bossa Nova. A segunda parte do recital se iniciou com o Gaspard de la Nuit de M. Ravel, uma das peças mais difíceis de todo o repertório pianístico. O programa será finalizado com as Variações Sobre um Tema de Paganini em estilo brasileiro, escritas pelo próprio Rabello.

Natural do Rio de Janeiro e radicado na Holanda, Luís Rabello possui uma sólida formação e é considerado um dos mais destacados pianistas sul-americanos. Vencedor de vários prêmios no Brasil, é formado pela Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pelos Conservatórios de Moscou (Rússia) e de Rotterdan (Holanda), onde atualmente é professor do curso de mestrado. Ao longo de sua formação, teve como professores Sônia Goulart, Myrian Dauelsberg, Andrei Pisarev e Aquiles Delle Vigne e, em todas essas instituições, obteve o máximo  reconhecimento acadêmico. Rabello realiza temporadas por diversas partes do mundo. Ganhou recentemente da imprensa espanhola o apelido de “Embaixador da Música Brasileira”. Em 2014, lançou o CD Radamés Gnattali - Piano Recital. O álbum foi lançado pela gravadora Acari Records. Rabello faz parte do time de talentos da ¹Virtuosi Produções.

SERVIÇO:
Biblioteca Joanina - Coimbra
Dia: 20/06
Horário: 19:30h
Endereço: Pátio das Escolas da
Universidade de Coimbra
Informações: http://visit.uc.pt/biblioteca/


SAIBA MAIS SOBRE LUIS RABELLO:
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¹VIRTUOSI PRODUÇÕES –  Situada em Belo Horizonte, é uma das principais agências de produção cultural do Brasil com ampla atuação no país e no exterior.