segunda-feira, 27 de novembro de 2017

VALENTINA LISITSA

 Através da música, beleza que emociona

VALENTINA LISITSA É NÃO SÓ A PRIMEIRA ESTRELA “YOUTUBER” DA MÚSICA CLÁSSICA, MAS SIM, A PRIMEIRA ARTISTA CLÁSSICA A CONVERTER O SEU SUCESSO NA INTERNET NUMA CARREIRA INTERNACIONAL DE CONCERTISTA NAS PRINCIPAIS SALAS DA EUROPA, EUA, AMÉRICA DO SUL E ÁSIA. A LOIRA DE GRANDES OLHOS AZUIS RETORNA AO CONTINENTE PARA MAIS UMA TURNÊ DE RECITAIS SOLO E NOS CONCEDE UMA ENTREVISTA EXCLUSIVA!

* Por Heloísa Godoy 


Pianista clássica nascida na Ucrânia, Valentina Lisitsa vem de uma família de não-músicos. Iniciou seus estudos musicais em Kiev, na Escola de Música Lysenko para crianças com especial talento aos 3 anos de idade e, aos 4 anos, fez o seu primeiro recital  solo. Ao contrário de muitos prodígios musicais, Valentina não pensava em seguir carreira musical: ela sonhava ser enxadrista profissional.

Com pouco esforço, Valentina passou pelo Conservatório de Kiev, onde conheceu o seu futuro marido, o também pianista, Alexei Kuznetsoff - seu parceiro em vários duetos, que a fez pensar mais seriamente na sua carreira musical. 

Imigrou para os Estados Unidos em 1992, onde começou carreira em duo com seu marido. Em 2007, postou seu primeiro video no YouTube, uma gravação do Étude op. 39/6 de Sergei Rachmaninoff, que se tornou um dos primeiros vídeos virais de música erudita. Após isso, muitos outros vídeos foram postados e assim surgiu uma carreira sem paralelo no mundo da música de concerto. Seu canal de YouTube tem hoje mais de 350.000 inscritos e seus vídeos contam com mais de 150 milhões de visualizações com uma média de 75.000 por dia. O Brasil não é uma exceção e os pedidos para que ela se apresente por aqui são incontáveis e vem de todas as regiões.

A relação de Valentina com a América Latina se iniciou em 2009, quando ela passou a ser representada pela Antares Produções, empresa dirigida por Maria Rita Stumpf. Naquele mesmo ano, realizou sua primeira turnê pelo Brasil, apresentando-se em duo com a violinista Hilary Hahn. Tem presença regular em países como Peru, Colômbia e México e, em 2012, lotou o Teatro Colon em recital, recebendo as mais elogiosas críticas da imprensa da Argentina.

Um espetacular recital no Royal Albert Hall em Londres frente a um público de oito mil pessoas em Junho de 2012 selou definitivamente sua carreira internacional. Os ouvintes tiveram a chance de votar online para escolher o programa do concerto e essa interatividade com o público se tornou uma das marcas de Valentina Lisitsa. A gravadora DECCA contratou a pianista com exclusividade após o seu concerto no Royal Albert Hall, lançando em CD e DVD o seu concerto.

Descrita pelos críticos como “um anjo tocando” ou “pianista eletrizante”, Valentina Lisitsa tem lotado salas de concerto pelo mundo, apresentando-se com orquestras como Chicago Symphony, WDR Symphony Orchestra Cologne, Seoul Philharmonic, San Francisco Symphony and Pittsburgh Symphony. 

A sua última turnê pela América do Sul foi em 2014, quando se apresentou como solista da Orquestra Sinfônica Brasileira, sob a regência de Lorin Maazel, em São Paulo e Rio de Janeiro. No próximo mês, Valentina virá ao continente para mais uma turnê de recitais solo. Desta vez no Brasil e na Argentina. O programa inclui grande êxitos de Valentina, como a Sonata ao Luar de Beethoven, Gaspard de la Nuit de Ravel, Quadros de uma Exposição de Mussorgsky, além de Noturnos de Chopin. 

Valentina vive atualmente em Roma, Itália e, sobre a música clássica diz: “Música clássica não é difícil. Não é elitista. É somente sobre nós mesmos”. E tem mais: a cada novo concerto lá está ela no YouTube explicando o que vai fazer, dando uma pequena amostra e divulgando mais sobre os compositores que interpreta... Já virou rotina - para ela e para seus seguidores. 

Entrevista

Revista Keyboard Brasil – Você foi uma criança prodígio e começou seus estudos aos 3 anos. Você pode nos falar como foi o seu início? Quem foi sua primeira professora de piano? 
Valentina Lisitsa – Os meus pais tentaram me dar uma educação ampla, então eu fui levada a fazer várias atividades, como aulas de esporte, dança etc. Eu fui um fracasso em todas essas atividades e a única em que eu me destacava era a música. Eu tinha um livrinho musical infantil e com ele aprendi o nome das notas e acordes. A partir disso, fui levada a fazer aulas de piano. Na União Soviética, dizia-se que nem todos poderiam ser pianistas de sucesso, mas era possível ser um bom professor de música e, por isso, os estudantes eram estimulados a ensinar. Então, a minha primeira professora foi uma estudante de piano adolescente, que deveria ter uns 16 ou 17 anos, e que foi colocada para dar aulas para crianças, como eu por exemplo, que tinha 3 anos. 

Revista Keyboard Brasil – A sua técnica é impressionante, mas como você a desenvolveu? Pode-se dizer que é uma mistura de talento com trabalho duro?  
Valentina Lisitsa – Muita gente me pergunta se a minha técnica é russa, mas eu não vejo nenhuma relação com a escola russa. Aliás, eu me considero uma pianista americana e a minha técnica é individual e resultado do tanto que eu estudo. Eu sempre tive muita facilidade técnica, mas também estudo 12 a 13 horas por dia, então é uma soma de talento e trabalho duro.   

Revista Keyboard Brasil – Além do piano, você também toca cravo, órgão ou sintetizadores? 
Valentina – Não, já tenho trabalho suficiente com o piano, então não tenho tanto tempo para me dedicar a outros instrumentos, mesmo que sejam de teclas. 

Revista Keyboard Brasil – Você também é compositora? Você já compôs alguma peça? 
Valentina Lisitsa – Não, pois como eu disse na pergunta anterior, não me sobra muito tempo além das minhas atividades como pianista. 

Revista Keyboard Brasil – O meio erudito é até bastante conservador. O que você tem a dizer sobre isso? 
Valentina Lisitsa – Quando eu era estudante, tive problemas com vários professores, porque eu nunca fazia exatamente o que eles pediam, mas sim o que eu queria. Assim, o mais importante para mim é o que eu quero fazer em termos musicais e não a opinião dos outros.    

Revista Keyboard Brasil – Você teve um grande sucesso no YouTube, mas você imaginou obter sucesso assim? Como a ideia dos vídeos surgiu? O que você tem a dizer a respeito da importância da tecnologia para a música?  
Valentina Lisitsa – Quando eu comecei, o grande sucesso da internet era o MySpace e não o YouTube, e essa ideia dos vídeos veio por acaso. Um grupo de amigos estava fazendo um curso de edição de vídeo e eles me pediram para gravar algo ao piano. Gravei então o estudo Op 39 No 6 de Rachmaninnoff, mas se você reparar, o vídeo é até bem amador, pois há erros de sincronia entre som e imagem. Eles não eram profissionais, apenas estudantes na época,  então o vídeo não foi perfeito, mas mesmo assim teve muito sucesso. Com relação à tecnologia, o YouTube foi uma verdadeira revolução, porque antes a música era controlada por gravadoras e, a partir dele, qualquer pessoa pôde gravar um vídeo e construir sua carreira.   

Revista Keyboard Brasil – Um dos grandes desafios do pianista profissional é preparar vários programas ao mesmo tempo e você é um grande exemplo disso. Recentemente, você tocou os 4 concertos e a Rapsódia de Paganini em uma só noite em Madrid, em outubro você tocou a integral dos Noturnos de Chopin em Paris e depois fará uma turnê pela África e América Latina com um programa totalmente diferente. Como é a sua preparação mental para isso tudo?   
Valentina Lisitsa – Eu tenho memória fotográfica, então isso facilita bastante para aprender e decorar repertório. Além disso, eu estudo pelo menos 12 horas por dia, então eu tenho resistência física para apresentações longas. 

Revista Keyboard Brasil – Outro grande desafio são as viagens constantes. Os voos são longos, existe a questão do jetlag e muitos solistas enfrentam distúrbios de sono por causa disso. Como você lida com as viagens? Por exemplo, no dia 18 de Novembro você termina uma turnê na África e entre os dias 21 e 29 de novembro você estará em turnê pela América do Sul. Isso não é muito cansativo para você?  
Valentina Lisitsa – Uma das minhas grandes alegrias na vida é tocar em público. Aliás, eu não tenho nenhum medo de palco e o meu problema é o contrário: eu tenho muita ansiedade antes do concerto, mas é de tanto que eu desejo estar em público. As viagens são sim desgastantes, mesmo não viajando de classe econômica, mas quanto mais eu toco em público, melhor eu fico.     

Revista Keyboard Brasil – Que conselhos você poderia dar a estudantes, pianistas, fãs e leitores da Revista Keyboard Brasil? 
Valentina Lisitsa – O piano é um instrumento percussivo, então o grande desafio do intérprete é fazer o público pensar que o piano pode cantar como a voz humana. Como fazer isso? Nós temos que aprender a controlar o tempo entre as notas e também o equilíbrio de som entre as duas mãos (melodia e acompanhamento), porque se você tocar tudo igual, a música morre.   

Revista Keyboard Brasil – Agradecemos sua atenção e lhes desejamos uma ótima turnê. 
Valentina Lisitsa – Obrigada e espero vê-los nos concertos. 

AGENDA:
São Paulo – Teatro Alfa
Dia: 21/11 às 20:30

Buenos Aires (Argentina) – Usina del Arte
Dia: 25/11 às 20:00

Porto Alegre – Theatro São Pedro
Dia: 27/11 às 20:00

Belo Horizonte – Grande Teatro Sesc Palladium
Série “Concertos Virtuosi”
Dia: 28/11 às 20:30

Rio de Janeiro – Sala Cecília Meirelles
Dia: 29/11 às 19:00

SAIBA MAIS SOBRE VALENTINA LISITSA:




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* Heloísa Godoy é pesquisadora, ghost writer e esportista. Há 20 anos no mercado musical através da Keyboard Editora e, há 10 no mercado de revistas, tendo trabalhado na extinta Revista Weril. Atualmente é publisher e uma das idealizadoras da Revista Keyboard Brasil - publicação digital pioneira no Brasil e gratuita voltada à música e aos instrumentos de teclas.


*Amyr Cantusio Jr. é músico (piano, teclados e sintetizadores) compositor, produtor, arranjador, programador de sintetizadores, teósofo, psicanalista ambiental, historiador de música formado pela extensão universitária da Unicamp e colaborador da Revista Keyboard Brasil.




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